ainda estou cá. resisto e existo. por mais só que me sinta no mundo, por mais que as palavras custem a sair,
por mais que me doa cada ecoar, cada som saído do diafragma, por mais que a garganta engula o sal das lágrimas,
por mais que não pareçam existir horas para nada, ainda cá estou.
ecos voam na minha mente. tudo o que queria fazer e não fiz, talvez por medo de tudo ou mais alguma coisa,
ou simplesmente porque os ventos não voaram na minha direção. ainda cá estou.
e eis que quando tudo parece seguir na direção certa, levo com mais um murro que me deixa o corpo em sangue,
e a alma mais ferida do que na noite anterior. mais uma sombra, mas ainda cá estou.
continuo a resistir a todas as ameaças, às noites frias, às barreiras que teimam em aparecer,
ainda cá estou. apanho sempre por tabela em todas as circunstâncias, sempre que te aparece uma tentação
que parece poder prender-te a algo rentável, mas que se revela como tudo na tua vida: morto.
ainda cá estou, e ainda me consegues apanhar, e ainda vais a tempo de perceber que tudo é possível na tua
vida.
basta quereres abrir as tuas enormes asas e voar.
com toda a estima que te terei, mais do que tudo o que te rodeia na vida,
o teu sonho.

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