quarta-feira, 8 de abril de 2015

Queda Livre


Existiam pelo menos mil e uma coisas que eu fazia questão de viver. Passo por passo, sem atropelos nem rebelias. Como é mais do que óbvio, transmutei-me mais vezes do que alguma vez cheguei a imaginar, e tropecei nos meus próprios pés até conseguir rastejar em sangue. Os sonhos não se contavam pelos dedos, nem sequer por todos os ossos do meu corpo.

Quando é que chegamos a este impasse, em que tudo o que ambicionamos se transforma em pó, em que percebemos que a maioria das pessoas vive num mundo hipócrita, em que entendemos que afinal ninguém te quer bem? Foram precisos 20 anos e troca o passo para conseguir chegar à conclusão de que o ser humano consegue ser, ao mesmo tempo, o mais precioso que temos na vida, e a maior podridão que caminha na terra? Foram. E ainda não aprendi nem metade. No meio de toda esta aprendizagem em conta-gotas, perderam-se os pergaminhos de sonhos, de viagens, de caminhos virgens que nunca chegaram sequer a ser imaginados, mas já estavam lá, escondidos nas milhares de gavetas que tenho fora da minha caixinha de Pandora, eternamente por arrumar?

Ainda ontem dei por mim a pensar: se calhar uma bússola resolve tudo. Tendo em conta o mess up que se esconde nas minhas eternas gavetas, e o quão me sinto perdida por entre os ramos deste cantinho, outrora um cantinho do céu?

Nunca pensei que chegar a esta sensação de queda livre constante não fosse senão libertador. Afinal, enganei-me. Redondamente. 

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