sábado, 18 de janeiro de 2014

Retiros


re·ti·ro

(derivação regressiva de retirar)

1. Lugar retirado.
2. Refúgio.
3. Casa de campo ou em sítio ermo.
4. Remanso; solidão.
5. Período de afastamento da vida activa, consagrado à meditação religiosa, ao recolhimento, à oração.

(Sinto que a minha vida é um Livro do Desassossego em progresso)


Chuva intensa. Vento a fustigar a janela. Pensamentos que voam pelo mundo fora. Sentimentos que escoam e encontram um lugar físico para fugir à repressão. Só com os demónios. Sem telemóvel, sem internet, sem problemas de qualquer foro.
Num lugar onde todas as palavras podem sair, sem qualquer julgamento de segundos e terceiros. Onde existe a possibilidade de rever todos os passos da vida, de repensar cada decisão e cada ideia louca que surge ao longo dos dias. Sem algemas. Sem rotina. 
Sem nada, a não ser a caneta a correr, o cérebro a girar com coisas que, no dia-a-dia, ficam escondidas onde têm de ficar. Faz bem ao coração, à alma, aos nossos mundos. 

Hoje fiz um destes. Senti que estava a precisar de estar só. Completamente só. Longe do mundo, sem influências do exterior. Precisava de pensar claramente em tudo o que tem acontecido na minha vida nos últimos dias. Tive espaço para rir, para chorar, para reflectir, para fazer as minhas despedidas que nunca acontecem. Não precisei de oprimir pensamentos, de gritar "pára de pensar nisto". É a altura ideal para este tipo de reflexões.

E, pela primeira vez em muito tempo, deixei de sentir um vazio interior, que me corrói há muito mais tempo do que desejava.
Pela primeira vez em muito tempo, tive a sensação de liberdade. 
Pela primeira vez em muito tempo, senti que soube enfrentar os meus demónios, e que não tenho nada a esconder a mim própria. 
Quando a vida e o mundo se cruzarem demasiado na clareza de pensamentos, acções e reacções, esta alienação do mundo é a receita prescrita. Sem custos. Sem pesos. 


Ariana

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

Vive




Birds fly high in the summer sky and rest on the breeze.
The same wind will take care of you and I.
We'll build our house in the trees.

Há acordes que fazem sonhar. Que te fazem deambular pelo mundo que sempre quiseste ter, pelo chão que sempre quiseste pisar. Ao mesmo tempo, deixam-te a pensar no que raio andas aqui a fazer. 
Tu, que nasceste do sonho, e vives para o sonho. Tu, que tens todas as esperanças do mundo naqueles que amas. Tu, que amas tão facilmente como sofres. Tu, que já sofreste tanto, mas acabas o dia sempre com um sorriso. Tu, que não deixas os outros ver-te no teu estado mais caótico. Tu, que gostas tanto de te rodear de amigos, quando a maioria deles, ou tem interesse próprio, ou finge gostar de ti porque a sociedade e o dever assim o mandam. Tu, que és vítima do mundo de merda em que te inseriram. Tu, que em milhões de pessoas levaste com uma das dores mais inconcebíveis. Que não chega à dor de muitos, mas que muitos também não sonham. Tu, a incompreendida, a anormal, a sonhadora.
Deixa os outros. Pára de viver para os outros. Pára de te preocupar com as circunstâncias. Que se lixem as circunstâncias. Que se lixem os outros, e as suas vidas tão minimizadas. Manda voar isso tudo, para bem longe. Atira os teus medos pela janela. Chora tudo o que tens contido nos últimos meses. Chora, até não teres mais cloreto de sódio no corpo. Afoga todas as tuas mágoas. Dança. Esgota todas as tuas energias. 
Esgota todas as tuas energias, e vai dormir. Amanhã, a tua atitude será diferente. Depois de amanhã, começas a selecionar o que realmente vale a pena na tua vida. Para a semana, atiras-te de cabeça a um novo projecto. Para o mês que vem, emigras para a outra ponta do mundo, ou simplesmente constróis uma casinha de madeira na outra face da estrada, junto da tua mãe, dos campos, dos teus pequenos mundos.                                                             
Vive das pequenas coisas, mas sê grande. Sonha com a metrópole e com a simplicidade. Mantém essa esperança que sempre conheci em ti. Guarda esse ser que não precisa das onças e dos crocodilos para te tramarem ou empatarem a vida.
És uma em sete biliões. Não és nada, e ainda assim o mundo é todo teu. Vive. Vive cada dia como se fosse o último. Seja na Amazónia, seja na outra face da estrada, seja debaixo da ponte, desde que seja a ponte mais bonita do mundo. 
Não te lamentes. Os outros não te compreendem como eu, mas não te lamentes.  Sei que sofres, mas também lutas. Lutas mais do que todas as pessoas que já conheci juntas. Mais ainda, lutas em silêncio. Mas pára. Essa dor interior não te ajuda em nada. Canaliza-a, e transforma-a em força para dar um passo de cada vez
E conhecendo-te como te conheço, sei que vais ter uma palavra a dizer no mundo. Que vais deixar a tua pegada, por muito que só fique escrita e registada na tua memória e nos teus manuscritos.
Vive. Um dia de cada vez, ou todos de uma vez. Vive, porque não sabes o que o amanhã te reserva. Vive.

Ariana

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Hoje: "I will be found (lost at sea)"


"I'm a little lost at sea
I'm a little birdie in a big old tree
Ain't nobody looking for me
Here out on the highway

Maybe I'm a runaway train
Maybe I'm a feather in a hurricane
Maybe it's a long played game
But maybe that's a good thing"


Por vezes, sinto-me assim. Um peixinho fora de água, que nunca mais encontra o rumo da corrente. 
Fora do ambiente natural, que muitas vezes não sabe sequer qual é, e por isso, busca um ínfimo de felicidade até ao fim dos seus dias. Um local onde se sinta bem. Um caminho a percorrer. Um objetivo a alcançar. Uma vida cheia de sonhos para viver.
Ainda tenho esperança de encontrar o meu rumo, quando a vida o permitir. Por favor, que o faça rápido. 
"I will be found, when my time comes down". John, John, sabes sempre o que dizes...

Ariana