
re·ti·ro
(derivação regressiva de retirar)1. Lugar retirado.
2. Refúgio.
3. Casa de campo ou em sítio ermo.
4. Remanso; solidão.
5. Período de afastamento da vida activa, consagrado à meditação religiosa, ao recolhimento, à oração.
Chuva intensa. Vento a fustigar a janela. Pensamentos que voam pelo mundo fora. Sentimentos que escoam e encontram um lugar físico para fugir à repressão. Só com os demónios. Sem telemóvel, sem internet, sem problemas de qualquer foro.
Num lugar onde todas as palavras podem sair, sem qualquer julgamento de segundos e terceiros. Onde existe a possibilidade de rever todos os passos da vida, de repensar cada decisão e cada ideia louca que surge ao longo dos dias. Sem algemas. Sem rotina.
Sem nada, a não ser a caneta a correr, o cérebro a girar com coisas que, no dia-a-dia, ficam escondidas onde têm de ficar. Faz bem ao coração, à alma, aos nossos mundos.
Hoje fiz um destes. Senti que estava a precisar de estar só. Completamente só. Longe do mundo, sem influências do exterior. Precisava de pensar claramente em tudo o que tem acontecido na minha vida nos últimos dias. Tive espaço para rir, para chorar, para reflectir, para fazer as minhas despedidas que nunca acontecem. Não precisei de oprimir pensamentos, de gritar "pára de pensar nisto". É a altura ideal para este tipo de reflexões.
E, pela primeira vez em muito tempo, deixei de sentir um vazio interior, que me corrói há muito mais tempo do que desejava.
Pela primeira vez em muito tempo, tive a sensação de liberdade.
Pela primeira vez em muito tempo, senti que soube enfrentar os meus demónios, e que não tenho nada a esconder a mim própria.
Quando a vida e o mundo se cruzarem demasiado na clareza de pensamentos, acções e reacções, esta alienação do mundo é a receita prescrita. Sem custos. Sem pesos.
Ariana
