quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Hoje: "All of Me"


"The world is beating you down, I’m around through every move
You’re my downfall, you’re my muse
My worst distraction, my rhythm and blues
I can’t stop singing, it’s ringing, I my head for you"

Uma história de amor. É o que toda esta melodia me lembra. Uma história de amor muito bonita, com muito para contar. A história em específico que esta música me faz recordar é minha. Fecho os olhos, e as únicas pessoas que vejo são os meus primos mais novos. Ao Domingo.  O António, o Zé Miguel, o Gustavo, a Beatriz, o Salvador, o Luis, e todos os outros em catadupa. Ao estalo e ao pontapé, a discutir por causa de uma mola da roupa, mas felizes. A felicidade deles sempre me comoveu. Sempre me fez sentir um bocadinho maior neste mundo. 
Desde que um deles nasceu que a minha vida virou do avesso. É um marco da reviravolta que dei nessa altura. Talvez seja por isso que sempre fui tão ligada a ele. Acompanhei tudo: a primeira papa, o primeiro dente, os primeiros passos, a primeira palavra (ainda hoje cismo que foi Nana), a primeira queda, a primeira birra. Sempre fui ligada a ele quase como se fosse meu irmão, meu protegido. Quase como se fosse o meu próprio filho. 
As crianças crescem, o vocabulário muda, e o tempo também.  Deixei de o ver aos fins-de-semana, fruto das circunstâncias da vida dele, e da minha também. Já não acompanhava o crescimento dele com tanta frequência. Agora, quando ele me vê, já não vem a correr para o meu colo, como sempre fez. Já não me dá a mão, e não me pede para irmos passear. Já não me chama minha coisinha boa, e já não faz uma festa gigantesca. Já não o levo a passear para adormecer. 
Desde que ele mudou, que os meus fins-de-semana parecem mais vazios. Dantes, saía da minha avó sempre suja com sopa, com papa, ou com o que quer que a criança me obrigasse a enfiar pela cabeça abaixo. Saía da minha avó com as costas doridas, de tanto o ter encavalitado nelas. Saía sempre de sorriso no rosto, porque me sentia acarinhada por um bebé de 2 anos. 
Agora, sempre que faço o circuito em que conduzia para o adormecer, e que vulgarmente faço aos fins-de-semana para reflectir no desastre que é a minha existência, sinto uma pontada de dor e saudade no coração. A vida passa. E como passa. É nas crianças que logo noto. 
Porque é que o John Legend está envolvido nesta história toda? Já não é a 2ª nem a 3ª vez que, de cada vez que passo nessa estrada, esta música começa a tocar. Não há como não me lembrar do puto, que outrora passava ali comigo a cada passo. Não há como não doer, e não pensar "tudo passa". Depressa demais. 

Ariana


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