
Desde muito pequena que tenho a mania de fazer pseudo-resoluções no início de cada semana, de cada mês, de cada ano, de cada viragem na minha vida. Creio que, por mais que tente, isso nunca vai mudar.
Hoje, dia 1 de Dezembro, foi a vez de uma nova resolução: renovar a minha forma de partilhar o que me vai na calma. Foi aí que me lembrei deste projecto, que nunca existiu senão em 2 posts e na minha cabeça, mas que nunca tive coragem de apagar porque, de certa forma, tinha esperança de preencher o espaço que aqui deixei vazio.
Há dias que ando numa espécie de bloqueio mental. Poucos são os que têm conhecimento disto: tenho por hábito andar sempre com um caderno de bolso, desde que me conheço, para partilhar o que me vai na mente. Por vezes, não há como o papel e a caneta para desbravar caminhos, desvendar sentimentos ocultos, deixar sair lágrimas há muito escondidas no íntimo. E, por norma, escrevo páginas e páginas ao longo dos dias. Nos últimos dias, pego na caneta, e nada me sai senão rabiscos sem sentido. Não consigo escrever. Já estive em todos os locais nos quais gosto de me sentar sem nada à minha volta, já pensei nas 1001 coisas que quero passar para o físico, e mesmo assim não consigo. A caneta prende-se na minha mão e fica ali, qual desvairada sem rumo para vida.
Foi nesse sentido que me lembrei do Opiário (que precisa de uns arranjinhos a nível de design, não que seja minimamente relevante, mas quero que a minha desorganização mental se transmita em termos). Pela facilidade de acesso, pela rapidez e fluidez de ideias, pelos desabafos que talvez nunca sejam lidos. Não importa. Quero escrever o que me vai na alma. Quero partilhar alguns desses devaneios. Sejam eles pessoais, aleatórios, subjectivos, imprecisos. Sobre isto ou aquilo, sobre o tempo lá fora ou o campeonato da 2ª divisão da distrital de Braga. Sem filtros. Não há um único ser vivo em quem consiga confiar os meus mais íntimos (ainda que não sejam preciosos) desabafos, aqueles que escrevo no alto da minha janela, ou no alto do monte, sem que ninguém me incomode. Esses vão acabar por desaparecer, às mãos de uma criatura malvada, ou no fumo da minha lareira. Estes, pelo menos, hão-de ficar para a imortalidade.
Que assim seja.
Ariana
PS: Não sou, de forma alguma, a favor do ABORTO ortográfico.
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