Desde tenra idade que estes meados de Fevereiro são penosos para mim e para a minha consciência. Por motivos adversos, e que nunca me vão largar, provavelmente nem depois da cova.
Ultimamente tenho pensado muito, mais do que é usual, no sentido das coisas. No dever, e no querer. No que devia ser, fazer, acontecer, e permanece intacto. Nas desgraças que deviam ficar enterradas no buraco, mas que insistem em ressurgir das cinzas há muito espalhadas pela minha memória a longo prazo. O certo é que são tantas, tantas, tantas, umas atrás das outras, que o meu cérebro não tem oportunidade de as esconder de mim.
Com isto tudo, só consigo apreender uma verdade: o tempo não é assim tão milagroso quanto o apregoam. Sempre conheci a tal história de "o tempo cura tudo, tudo passa". Balelas. Muitos pensarão, "que raio sabes tu, catraia, com nem um quarto de século nesta terra, do que o tempo cura ou deixa de curar?". Desenganai-vos. Não falo de paixões psicadélicas, que também por cá já andaram. Antes falasse. A vida deu-me castigos muito mais penosos. Fui obrigada a crescer, a perceber coisas que, na minha pré-adolescência, jamais alguém merecia entender. Fui obrigada, desde cedo, a entender que nada dura para sempre. Tudo é efémero. Que tudo se esvai em fumo numa questão de microsegundos. Fui obrigada a perder tanta coisa...
Hoje, ante tantas outras tragédias e psicopatias que assolapam a minha vida, não consigo ficar imune. Devia, não devia? Afinal de contas, o tempo tudo cura. Tretas. Tretas psicopatas. O tempo não cura. O tempo vai cicatrizando as feridas que, de quando a quando, insistem em aparecer de novo para assombrar uma memória outrora limpa e feliz.
O tempo não é meu amigo. O tempo é traidor. O tempo um dia há-de me torturar lentamente até eu suplicar por um fim em dignidade. Acho que já começou a fazê-lo há muito mais do que me apraz dizer.
Odeio estes dias. Odeio esta dor crónica. E odeio, profundamente, o tempo.
Ariana
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