sábado, 15 de fevereiro de 2014

Choremos: O Romance morreu


Em dias como o "Dia dos Namorados", é inevitável carregar a minha mente de pensamentos sobre o Amor e as suas Loucuras. Em 365 dias no ano, existe um dia dedicado ao amor, ao romance, à luxúria, à paixão. Tudo isto com letras minúsculas, porque é mesmo o que isto merece. É bom que existam dias como o dia dos Namorados, a Economia precisa de girar: os cabeleireiros, pasteleiros, floristas, donos de restaurantes bem precisam de clientela. Escusado será dizer que acho uma estupidez pegada o consumismo exacerbado ligado a este dia. Não quero ser mal interpretada, considero-me uma romântica incurável (quando sonho com os meus amores impossíveis). Tal não faz com que deixe de achar absurdo que exista um dia dedicado exclusivamente aos casais enamorados, quando devia ser algo festejado a cada dia. Enfim. Não é isso que me traz a desabafar por estes lados. Não é só esta história das americanices importadas do Valentine's Day que me traz ao Opiário hoje. 

É tudo o que isto me recorda. 

Hoje em dia, o Romance está em apuros.  Aliás, faz parte da magia do Romance estar eternamente em apuros. O problema é que, nos dias que correm, o Romance está a morrer. Mais do que em todas as outras alturas. 
As flores que hoje tantos oferecem começam a murchar amanhã. E depois? Já não se fazem amores eternos. Hoje em dia, são mais as paixões desenfreadas e fugazes, as one-night stands, os amigos para as ocasiões. Vivemos numa época de banalização do sexo, da violência, do escândalo, em que a sexualidade e a podridão se vendem a cada esquina, exploradas em estímulos visuais que aparecem aos pontapés. A ideia de amor romântico é uma anedota para a maioria do ser humano comum. As paixões avassaladoras, que nos assombram cada célula do corpo, só existem em livros e nos filmes, e são substituídas pela paixonite aguda, aquela que se deita fora no minuto seguinte. Já não há tempo para amar. O stress, a correria do dia-a-dia, os problemas que se atravessam na vida, não nos deixam tempo para aquilo que é mais importante no mundo. 
Os dias vão passando, e perdendo a magia a cada momento, porque o Amor perde mais brilho se não tiver quem olhe através dos seus Olhos, aqueles que vêem tudo mais bonito e mais possível do que os mais leigos. A própria Bíblia Sagrada refere: "Se não tiver Amor, nada sou". 
É isso que falta ao mundo. Faltam os olhos dos que Amam. Faltam os cinco sentidos dos românticos, que vêem o mundo de uma forma muito mais poética e colorida. Muito mais bonita. É o Amor que torna as pessoas felizes, que torna o mundo melhor. 
Que é feito de Romances como o de Jane Eyre, que encontra o seu eterno amado Rochester cego e cuida dele após a morte da mulher? De Tristão, cavaleiro lendário, que se apaixona pela princesa Isolda e, no leito da sua morte, ainda chama pelo seu nome? De Isolda, que morre de desgosto ao encontrar o seu amado já partido para a eternidade? De Eurico, o Presbítero, que se força a recusar o amor de Hermengarda devido às suas convicções religiosas, e parte para a guerra? De Páris e Helena de Tróia, que fogem, mesmo sendo Helena casada? De Carlos Eduardo e Maria Eduarda que, desconhecendo o laço de sangue que os une, se amam e decidem fugir? De Lizzie Bennet e de Darcy, que se repelem devido à divergência social, e acabam por descobrir que não aguentam longe um do outro? 
Como estes Romances Épicos, podia referir muitos mais. E não existiam só nos livros. 
Não há tempo para o Romance. Não há tempo para o Amor. Ambos murcham, e fogem para terras quentes, migram como as aves no Inverno. 
O grande problema reside no facto de um dia, poderem murchar de vez. Enquanto há vida, há esperança. 
Mas a verdade é que a vida do Romance já está por um fio há muito tempo. 


Para mim, Maria Apaixonada pelo Mundo, o Romance morreu. Já definha no peito há mil décadas. E está a ficar com um aspecto sórdido, visto até de quem o olha com saudade.

Ariana





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