
Birds fly high in the summer sky and rest on the breeze.
The same wind will take care of you and I.
We'll build our house in the trees.
Há acordes que fazem sonhar. Que te fazem deambular pelo mundo que sempre quiseste ter, pelo chão que sempre quiseste pisar. Ao mesmo tempo, deixam-te a pensar no que raio andas aqui a fazer.
Tu, que nasceste do sonho, e vives para o sonho. Tu, que tens todas as esperanças do mundo naqueles que amas. Tu, que amas tão facilmente como sofres. Tu, que já sofreste tanto, mas acabas o dia sempre com um sorriso. Tu, que não deixas os outros ver-te no teu estado mais caótico. Tu, que gostas tanto de te rodear de amigos, quando a maioria deles, ou tem interesse próprio, ou finge gostar de ti porque a sociedade e o dever assim o mandam. Tu, que és vítima do mundo de merda em que te inseriram. Tu, que em milhões de pessoas levaste com uma das dores mais inconcebíveis. Que não chega à dor de muitos, mas que muitos também não sonham. Tu, a incompreendida, a anormal, a sonhadora.
Deixa os outros. Pára de viver para os outros. Pára de te preocupar com as circunstâncias. Que se lixem as circunstâncias. Que se lixem os outros, e as suas vidas tão minimizadas. Manda voar isso tudo, para bem longe. Atira os teus medos pela janela. Chora tudo o que tens contido nos últimos meses. Chora, até não teres mais cloreto de sódio no corpo. Afoga todas as tuas mágoas. Dança. Esgota todas as tuas energias.
Esgota todas as tuas energias, e vai dormir. Amanhã, a tua atitude será diferente. Depois de amanhã, começas a selecionar o que realmente vale a pena na tua vida. Para a semana, atiras-te de cabeça a um novo projecto. Para o mês que vem, emigras para a outra ponta do mundo, ou simplesmente constróis uma casinha de madeira na outra face da estrada, junto da tua mãe, dos campos, dos teus pequenos mundos.
Vive das pequenas coisas, mas sê grande. Sonha com a metrópole e com a simplicidade. Mantém essa esperança que sempre conheci em ti. Guarda esse ser que não precisa das onças e dos crocodilos para te tramarem ou empatarem a vida.
És uma em sete biliões. Não és nada, e ainda assim o mundo é todo teu. Vive. Vive cada dia como se fosse o último. Seja na Amazónia, seja na outra face da estrada, seja debaixo da ponte, desde que seja a ponte mais bonita do mundo.
Não te lamentes. Os outros não te compreendem como eu, mas não te lamentes. Sei que sofres, mas também lutas. Lutas mais do que todas as pessoas que já conheci juntas. Mais ainda, lutas em silêncio. Mas pára. Essa dor interior não te ajuda em nada. Canaliza-a, e transforma-a em força para dar um passo de cada vez
E conhecendo-te como te conheço, sei que vais ter uma palavra a dizer no mundo. Que vais deixar a tua pegada, por muito que só fique escrita e registada na tua memória e nos teus manuscritos.
Vive. Um dia de cada vez, ou todos de uma vez. Vive, porque não sabes o que o amanhã te reserva. Vive.
Ariana
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