sábado, 21 de dezembro de 2013

Massacre


Às vezes sinto-me uma mentecapta. 

Levo a palavra dos outros a sério, massacro-me ainda mais do que me massacram diariamente. 

Queria tanto que tudo me fosse indiferente. Infelizmente, por mais que o diga, não nasci com coração de pedra. Sinto que preciso de uma "limpeza geral". E se não a fizer, tenho uma arma apontada à cabeça, pela minha própria sanidade. Há muitas coisas que preciso de enterrar, nomeadamente o meu coração humilde e humilhante que palpita por tudo e por nada.

Quero aproveitar estes dias de "descanso" para mim. Eu e os meus retiros. Aqueles que já não faço há muito tempo. As músicas que já não ouço há muito tempo. As palavras guardadas na mente que nunca mais saíram. As séries guardadas no disco que nunca mais vi. Os livros que ganham pó na estante. O piano que ganha ainda mais pó no canto da sala. A minha almofada predilecta que não me tem visto nos últimos tempos. O meu carro, que já nem anda em termos, por falta de uso. As minhas estradas, que já não me conhecem. Os caminhos que só eu conheço. 

Preciso de mim. Do meu eu genuíno. De desaparecer com esta pessoa cabisbaixa e negra que já não conheço de lado nenhum.

Preciso de parar com este massacre

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